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No contexto da pandemia da Covid -19 o que é mais essencial na cidade do Rio de Janeiro: um shopping do Leblon ou a escola pública da favela?
Maria das Mercês Navarro Vasconcellos
Servidora Pública na função de tecnologista em Saúde Pública na ENSP/ Fiocruz
04/08/2020
(…)Não há projeto para diminuir a violência nem a desigualdade social. O capitalismo avança e o povo padece e diminui ainda mais a distribuição de renda e aumenta a pobreza e a violência contra os moradores de Manguinhos em tempos de pandemia. Não é só para os moradores de Manguinhos, mas o Brasil inteiro. (…) o capitalismo mata (…). Em todo esse desastre fica algo importantíssimo de positivo: Estamos fazendo tudo que eles não querem. Estamos aprendendo a caminhar juntos.” Sr Beserra*
Para ajudar a responder a questão apresentada no título desse texto nos valeremos da sabedoria do Sr Beserra que sempre nos ensina que nunca devemos nos perder olhando apenas para as consequências dos problemas. Na luta pela produção de saúde em Manguinhos, ele nos ensina que a solução dos problemas só encontramos se conseguimos enxergar as suas causas. Ele também nos ensina que a principal causa dos problemas que enfrentamos trabalhando pela produção de saúde na favela é o capitalismo. Segundo diz Sr Beserra nas palavras registradas acima: o capitalismo é violento, ele mata.
Vamos recorrer também a palavras de um cientista que dedicou toda a sua vida a estudos sobre o Sistema Capital. Esse cientista chamava-se István Mészáros. Há 20 atrás, Mészáros escreveu um livro de 1.093 páginas intitulado “Para além do capital”. Nesse trabalho, o autor defende exaustivamente a tese de que a atual crise do capitalismo tem uma natureza diferente das crises anteriores. Ele argumenta que as anteriores foram “crises cíclicas” que fazem parte do capitalismo, enquanto que a dos nossos dias seria uma crise estrutural do “sistema capital”, diferenciando-se, portanto, das “crises cíclicas” necessárias à sua manutenção. Ele sustenta essa tese com base principalmente de análises sobre a incompatibilidade entre a finitude do planeta, tanto como fonte de recursos materiais quanto na sua capacidade de absorver resíduos, e a característica do Sistema Capital de necessitar manter sempre em expansão a sua capacidade de explorar a natureza e os trabalhadores.
Ficam cada vez menos racionalmente justificáveis, em nome da saúde do mercado, dos estoques reguladores e das taxas médias de lucro do capital, as políticas que induzem a não produção de alimentos e remédios etc. ou destruição de toneladas dos mesmos. Trata-se de políticas criminosas que produzem, por problemas ligados direta ou indiretamente à fome e subnutrição, 30 milhões de mortes anualmente (RAPOSO, 2000:20). Também é insuportável o fato de que 4,5 bilhões de pessoas, especialmente nos países pobres, tenham para consumir apenas 14% da produção mundial e 1,5 bilhão se apropriem de 86%. (FRIGOTTO, 2001, p.36) (grifo nosso)
Meszáros (2002) chegou à conclusão de que a sobrevivência do capitalismo depende de um processo de dominação cada vez mais intenso − não só criando nas sociedades a necessidade de consumo, mas também investindo na guerra entre países para lhe garantir de forma mais segura a venda de produtos – que, nesse caso, são basicamente armas. A democracia torna mais difícil para o capital controlar os governos em função de seus interesses e a despeito da desgraça das populações. Portanto, “[…] el dilema neoliberal no es entre estado e mercado, sino entre democracia y mercado. Y sus representantes non vacilan en sacrificar la primera em aras del segundo”. (BORON, 2006, p.148).
É como afirma o Sr Beserra na epígrafe desse texto: “capitalismo mata”. Esse processo produtor de barbárie se agudiza com a pandemia da Covid -19 no atual momento histórico. Essa pandemia mata e degrada a vida muito mais na favela do que em outros territórios da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo:
A Fundação Oswaldo Cruz lança, nesta segunda-feira (13/7), o primeiro Boletim Socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas. De acordo com a publicação, o baixo número de casos e óbitos registrados nos bairros com “alta e altíssima concentração de favelas” se contrapõem às taxas de letalidade nessas regiões, que chegam a ser o dobro em relação aos bairros que não têm favelas.
As pessoas que moram nas favelas representam a maior parte da população brasileira que é vulnerabilizada pelos processos societários em curso. Processos, intensificados durante a pandemia da Covid-19, que passam pela apropriação privada de recursos públicos.
(…)os ricos ficaram ainda mais ricos durante a pandemia. A política monetária praticada pelo Banco Central há anos e agravada durante os últimos meses está relacionada com mecanismos que a Auditoria Cidadã da Dívida vem evidenciando e combatendo. (…) o Banco Central (BC) também vem transferindo dinheiro público aos bancos por meio das operações de “swap cambial” (R$ 63,5 bilhões somente de janeiro a maio de 2020) e do pagamento da remuneração diária da sobra de caixa dos bancos, nas chamadas “operações compromissadas”, cujos juros custaram cerca de R$ 1 trilhão nos últimos 10 anos. (…) Dia 23/3/2020 o BC anunciou a entrega de mais R$ 1,2 Trilhão aos bancos (sob a falsa desculpa de que esse dinheiro iria para empréstimos ao setor produtivo), e em maio foi aprovada a Emenda Constitucional 106, autorizando o BC a entregar trilhões aos bancos e investidores, comprando papéis podres acumulados na carteira deles, sem limite algum, às custas de mais dívida pública que será paga pelo povo. Auditoria Cidadã da Dívida, 30/07/2020
Os recursos públicos que se acumulam nas mãos de tão poucas pessoas no Brasil são recursos que faltam para garantir que a maioria da população do país tenha acesso a direitos básicos, como o direito à vida, à saúde e educação. Em tempos de pandeia da Covid-19 isso significa, por exemplo, o direito a um atendimento facilitado nos serviços de saúde e assistência social. Direito a condições de participar de processos de Educação
a Distância e a uma renda emergencial que pudesse efetivamente garantir a quarentena, a saúde mental, a segurança alimentar e nutricional.
Nesse contexto, no auge da pandemia, os shoppings são considerados essenciais pela Prefeitura Rio de Janeiro e abrem as suas portas. Esse fato tem sido utilizado como para forçar a reabertura das escolas com o argumento de que elas também deveriam ser consideradas essenciais. A questão que fica é: estamos falando sobre o que é essencial para o quê? E para quem? As respostas para essas perguntas podem ser floreadas, mas o argumento definidor dessa essencialidade é força da engrenagem do Sistema Capital forçando a roda a rodar sem se importar com o número de vidas que isso vai custar. Afinal, uma lição já aprendemos, como disse o Sr Beserra: capitalismo mata. Mas também aprendemos que vai morrer muito mais morador da favela do que do Leblon. Portanto, a resposta para a pergunta no título do texto é no contexto da pandemia da Covid -19 o que é mais essencial na cidade do Rio de Janeiro é o Sistema Capital. Ele é que faz abrir o shopping para mover o comércio e abrir a escola para depositar crianças para que os pais e avós possam sair para trabalhar e assim tentar garantir a sobrevivência que não foi garantida pelos recursos públicos. Recursos públicos que compõe a riqueza produzida pelos trabalhadores, mas dividida em sua maior parte apenas entre os que detém o poder econômico e político utilizando as armas conforme explicou Mészáros nos livros aos quais recorremos nesse texto. Então, para responder a pergunta do título do texto precisamos primeiro responder: o que é essencial a sociedade manter: a engrenagem do Sistema Capital, explicada por Mészáros, ou a proteção da vida de todas as pessoas e não apenas entre alguns dos sócios que a compõe e que poderão permanecer em quarentena?
Referências
Auditoria Cidadã da Dívida. Fortuna de bilionários cresce durante a pandemia. 30 de julho, 2020. Disponível em https://auditoriacidada.org.br/fortuna-de-bilionarios-cresce-durante-a-pandemia/. Boletim socioepidemiológico da Covid-19 nas Favelas – Ed 1. Disponível em https://portal.fiocruz.br/documento/boletim-socioepidemiologico-da-covid-19-nas-favelas-ed-1
BORON, Atílio A. Después Del saqueo: El capitalismo latinoamericano a comienzos del nuevo siglo. In: Política y movimientos sociales em el mundo hegemônico: lecciones desde África, Ásia e América Latina / compilado por Atílio A. Boron y Gladys Lechini. 1 ed. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciências Sociais. CLACSO, 2006.
FRIGOTTO, G. (orgs.). A cidadania Negada. Políticas de exclusão na educação e no trabalho. 2ª ed. São Paulo: Cortez; Buenos Aires: CLACSO, 2001.
MÉSZÁROS, István. A teoria da alienação. São Paulo: Boitempo, 2006.
__. Para Além do Capital. São Paulo: Boitempo, 2002.
_______________________________
*José Beserra de Araújo. Morador de Manguinhos – Caminhoneiro aposentado – 76 anos. Conselheiro do Conselho Gestor Intersetorial de Manguinhos (CGI) e militante do Movimento das Comunidades Populares (MCP) – Trecho de texto do Sr. Beserra utilizado no Seminário do Fiopromos/Fiocruz realizado em 25/06/2020. Disponível em <https://drive.google.com/drive/folders/1TZaLMQmgZ-F6LF-pOe-HI_F0sGIj2_yf>
Entre denúncia de atividades remotas impostas as escolas, e anúncio de educação a distância que atenda aos interesses da classe trabalhadora (2ª edição – contribuição dos meus companheir@s)*
por Roberto Eduardo Albino Brandão
Como pensar em um projeto societário anticapitalista, a partir da classe trabalhadora, sem considerar a disputa por democratização dos artefatos tecnológicos de Informação e Comunicação, incorporada as estratégias de luta política dos movimentos sociais? Para tentar responder a essa pergunta, parte-se dos desdobramentos históricos do uso dos artefatos tecnológicos nos processos ensino-aprendizagem, através da modalidade de EaD (Educação à Distância), onde ela seria capaz de promover a troca de informações e mensagens formativas, através desses artefatos, independente de local físico determinado. Assim, é fundamental refletir sobre a complexidade das diferentes propostas de EaD, principalmente no contexto de extrema desigualdade social e superexploração dos trabalhadores:
No Brasil, segundo Belloni (1998), a história da modalidade [EaD] pode ser resumida como uma série de ações nem sempre coerentes e muitas vezes contraditórias ligadas a políticas fragmentadas sem bases estruturantes de médio e longo prazos. (PEREIRA; et al, 2017, p.27)
Ao partir da concepção teórica do materialismo histórico dialético, é possível compreender que todos os novos artefatos tecnológicos, sejam eles hardware (laptop de baixo custo), software (aplicativos/plataformas de código aberto e produzidos no Brasil) e/ou internet (Programa Internet para Todos), possuem intencionalidade política construída historicamente. No contexto atual de pandemia por COVID-19, as escolas públicas foram surpreendidas com uma série de medidas para que os professores utilizassem seus próprios artefatos tecnológicos em ensino ou atividades remotas, bem como os estudantes foram compelidos a participar desse processo, sem qualquer referência e/ou formação e/ou discussão com a sociedade civil. Fato é que esse processo aligeirado e excludente passa longe do papel teórico-metodológico da EaD, gerando uma visão distorcida dessa modalidade educativa, haja visto seu atual direcionamento mercadológico e nada dialógico.
O fato dos governos importarem plataformas educativas, que não foram pensadas para as diferentes realidades brasileiras, revela o quanto as corporações que administram essas plataformas, ao desenvolverem tecnologias no campo da educação, estão preocupadas em maximizar o lucro (extraordinário), e assim continuar reproduzindo o modo de dominação/dependência/produção capitalista:
A tecnologia aparece como instrumento de dominação e maior transferência de capitais para os países ricos. A compra de pacotes tecnológicos obsoletos para amortizar tecnologias já descartadas pelo centro, o pagamento de patentes e a divisão entre duas etapas de desenvolvimento tecnológico, mais complexas no centro e menos complexas na América Latina, são expressões da dependência tecnológica, criada pelas relações dependentes. (TELES, 2017, p.126)
Quanto mais a classe trabalhadora avança na consciência de sua situação de superexploração e acirramento das desigualdades, mais cresce a revolta popular anticapitalista. Isso explica os movimentos sociais, partirem para manifestações “contra EaD”, que posteriormente foram se transformando em “contra ensino remoto” e “contra atividade remota”. Negar a EaD, nesses moldes, seria uma boa estratégia de luta por uma educação emancipatória? Não se trata de atribuir a EaD um caráter redentor das mazelas educacionais e falta de investimento, tão pouco assumir uma posição idealizada de educação. No entanto, ao focar apenas nessa reação “contrária” a utilização dos artefatos tecnológicos, tal qual concebida e aplicada sob o poder político-econômico da classe dominante, esquece-se e/ou relega-se a segundo plano a possibilidade de incluir a EaD num projeto de sociedade da classe proletária.
Argumenta-se que não é possível se pensar em EaD, nas escolas públicas, sem a inclusão de todos/as (crianças, jovens, adultos e idosos) no mundo das novas tecnologias (digitais), fornecendo a eles/elas todos os artefatos tecnológicos necessários a essa inclusão e permanência, como aponta o grupo de pesquisadores Colemarx/UFRJ (2020, p. 23):
iii) As atividades mediadas por tecnologias devem ser democratizadas: acesso livre à internet de qualidade para todos estudantes [e professores].
iv) Democratizar acesso aos meios tecnológicos que possibilitam interações criativas na internet.
v) Liberação gratuita de espaços de encontros virtuais nas escolas, redes, objetivando promover debates sobre as crises em curso e o papel da educação.
Lutar pela democratização dos artefatos tecnológicos é lutar pela socialização do conhecimento, é também lutar pela escola unitária, com autonomia pedagógica das comunidades escolares.
Se a EaD não substitui a educação presencial, tão pouco a educação presencial consegue substituir a EaD, em todas as suas especificidades. É fundamental problematizar o(s) sentido(s) da educação, seja ela presencial ou a distância, assumindo o compromisso ético-político de emancipação da classe trabalhadora nas relações capitalistas de produção. Relações excludentes, fundamentadas na desigualdade, meritocracia, individualismo e privatismo. Tais reflexões permitem ampliar o papel da EaD, no sentido de “ponte”, para a construção de processos ensino-aprendizagens significativos, e não “gaiola”, que tire a liberdade dos educadores e educandos. Avalia-se que, estrategicamente, na conjuntura das lutas de classes, não se pode negar (ser contra) a EaD em si / a priori, pois:
[…] é preciso reconhecer que a EaD aplica princípios industriais na educação. Busca-se o máximo resultado com o menor investimento, o que revela grandes contradições. No entanto, não se pode, com isso, descartar a EaD completamente e não reconhecer suas potencialidades no campo educacional. É necessário discutir qual EaD, para que e para quem promovê-la. (PEREIRA; et al, 2017, p.16)
A luz da militância crítica, espera-se que os movimentos sociais consigam aprofundar essas análises, para além do pessimismo da razão econômica (desumana), e organizar a classe trabalhadora com o otimismo da vontade de superação do sistema capitalista. Seria a nova revolução tecnológica (igualitária) o anúncio de um movimento pré-revolucionário anticapitalista?
Referências:
COLEMARX – Coletivo de Estudos em Marxismo e Educação. Em defesa da educação pública comprometida com a igualdade social: porque os trabalhadores não devem aceitar aulas remotas. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: http://www.colemarx.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Colemarx-texto-cr%C3%ADtico-EaD-2.pdf. Acesso em: 05 jul. 2020.
PEREIRA, Maria de Fátima Rodrigues; MORAES, Raquel de Almeida; TERUYA, Teresa Kazuko. (Orgs) Educação a distância (EaD): reflexões críticas e práticas. Uberlândia: Navegando Publicações, 2017.
TELES, Gabriela Caramuru. A tecnologia no capitalismo dependente: a superexploração da força de trabalho em Karl Marx e Ruy Mauro Marini. 2017. 131 f. Dissertação (mestrado em Tecnologia) – Universidade Federal Tecnológica do Paraná, Curitiba, 2017.
* 1ª Edição encaminhada ao X Colóquio Internacional de Filosofia e Educação (http://filoeduc.org/10cife/index.php).
Publicado em Desafios
Com a tag EaD, Educação, Educação a Distância, Escola Pública
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ONDE A PANDEMIA DE COVID-19, O ASSASSINATO DE MARIELLE E O MOVIMENTO ESCOLA SEM PARTIDO SE APROXIMAM? Uma breve análise da crise capitalista
por Roberto Eduardo Albino Brandão[i]
O silêncio aparentemente “natural” (provocado por um vírus), o silenciamento de uma ativista social e a tentativa de silenciar o pensamento divergente dentro das escolas. Três marcos da atual crise capitalista, que dizem muito da realidade ideológica brasileira. Três “totalidades parciais”, na teoria marxista, de grande repercussão e reflexão em nível nacional e internacional. Três eventos discursivos, cujas análises possibilitam reconhecer quem são “os de cima” (classe dominante) e quem são “os de baixo” (classe trabalhadora). Três fatos sociais/históricos que, no contexto de crise da sociedade do consumo, nos convocam a práxis revolucionária anticapitalista.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou situação de pandemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus, no dia 11 de março de 2020. Não cabe aqui discutir as origens desse vírus, tão pouco naturalizá-lo, mas sim entender como a sociedade, com base no modo de produção capitalista, reage a esse problema de saúde. Nesse sentido, o governo brasileiro, em pronunciamento histórico do presidente da república, em 24 de março, contrariando as orientações da OMS e as medidas adotadas em outros países, tentou minimizar o problema, pedindo a “volta à normalidade”/fim do “confinamento em massa”, alegando que os meios de comunicação espalham “pavor”, e ainda chamando a doença de “gripezinha”. Tal discurso, diferente do “distúrbio mental” propagado por alguns, segue uma visão estratégica, dentro de um alinhamento “político” e “econômico” com megaempresários, de que “o Brasil não pode parar”, pois a produção, circulação e consumo de mercadorias são a base do processo produtivo de acumulação de riquezas por parte dos capitalistas. Ora, se houvesse uma preocupação concreta com a vida dos trabalhadores, o governo deveria estar investindo todos os esforços no atendimento médico-hospitalar suficiente e acessível a todos/as, inclusive e principalmente no momento de pico da contaminação pelo coronavírus. Ao invés disso, além desses esforços não serem suficientes em nenhum país, no caso brasileiro, o Sistema Único da Saúde (SUS) segue submetido a essa mesma lógica de acumulação de riquezas, cercado de ideias privatistas de saúde como mercadoria e, portanto, de atendimento somente a quem possa pagar e/ou parcerias “público-privadas”, ou seja, negando o sistema público, único e gratuito para todos/as. Ressalta-se que o governo brasileiro dispõe de reservas internacionais que somam mais de 350 bilhões de dólares e, portanto, pode manter os trabalhadores em confinamento para se diminuir a curva de transmissão, diluindo a demanda médico-hospitalar ao longo do tempo.
O assassinato de Marielle Franco, ocorrido em 14 de março de 2018, soma-se as milhares de outras mortes, sempre trágicas e desumanas, principalmente de pessoas das favelas do Rio de Janeiro, com uma diferença. Trata-se de uma pessoa altamente politizada, ou seja, que entendia a totalidade do sofrimento dos oprimidos, que denunciava a opressão, que dava voz a ralé, e tomava partido, defendendo não o seu ponto de vista individual, mas de toda a classe trabalhadora. Cabe considerar que esse brutal acontecimento é historicamente recorrente no interior do Brasil, onde a grande mídia não alcança, uma vez que atentam (com frequência) contra a vida de líderes políticos que contrariam os interesses dominantes no campo. Nesse sentido, embora ainda não se tenha elucidado o crime, por parte das instituições de segurança pública, passados mais de 2 anos, importante considerar as inúmeras mensagens Fake News sobre o caso Marielle. Tais discursos públicos, sem qualquer base material, inclusive por políticos influentes e magistrados, tentam depreciar sua bandeira socialista e despolitizar o crime: “A minha questão não é pessoal. Eu só estava me opondo à politização da morte dela”[ii], diz a desembargadora Marilia Castro Neves à coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo.
Embora surgido em 2004, o programa Escola sem partido tomou vulto em 2015, por conta dos projetos de lei que foram apresentados e discutidos no Congresso Nacional, nas câmaras municipais e nas assembleias legislativas, defendendo, entre outros, “[…] que todo professor tem o dever ético e profissional de se esforçar para alcançar esse ideal” “[…] da perfeita neutralidade e objetividade”[iii], esforçando-se para não contaminar ideologicamente os alunos. Soma-se a isso, o fato do idealizador do referido programa tentar retirar de Paulo Freire, sem qualquer apoio popular, o título de patrono da educação brasileira. Gaudêncio Frigoto (2017, p.31)[iv], sintetiza muito bem esse movimento, ao refletir sobre sua gênese na crise do sistema capitalista:
Ao por entre aspas o termo “sem” da denominação Escola sem Partido, quer-se sublinhar que, ao contrário, trata-se da defesa, por seus arautos, da escola do partido absoluto e único: partido da intolerância com as diferentes ou antagônicas visões de mundo, de conhecimento, de educação, de justiça, de liberdade; partido, portanto da xenofobia nas suas diferentes facetas: de gênero, de etnia, da pobreza e dos pobres, etc.
Para analisar os três fatos acima, é fundamental partir do pressuposto de que nenhum discurso é livre, sempre está inscrito historicamente, dentro de uma perspectiva ideológica, que não é tratada aqui como “falsa consciência”, mas que: “A ideologia é constituída pela realidade e constituinte da realidade. Não é um conjunto de ideias que surge do nada ou da mente privilegiada de alguns pensadores. Por isso, diz-se que ela é determinada, em última instância, pelo nível econômico” (FIORIN, 1998, p.30)[v].
Assim, observa-se que os discursos hegemônicos, inclusive incorporados por uma fração da classe trabalhadora, possuem forte construção social alicerçada nas correntes de pensamento de base racionalista, liberal, positivista e meritocrática. É sabido que o século XVIII sacudiu o mundo, com o poder da razão, através do Iluminismo. Tal período culminou com a revolução (francesa), sob o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, onde as relações antagônicas entre classe dominante e classe trabalhadora se alteraram. No entanto, em se tratando de capitalismo mundializado, a classe trabalhadora vive ainda hoje sob a opressão da classe dominante:
A classe que chamo provocativamente de ralé é uma continuação direta dos escravos. Ela é hoje em grande parte mestiça, mas não deixa de ser destinatária da superexploração, do ódio e do desprezo que se reservavam ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras. […] O acesso ao poder simbólico exige a construção de “fábricas de opiniões”: a grande imprensa, as grandes editoras e livrarias, para “convencer” seu público na direção que os proprietários queriam, sob a máscara da “liberdade de imprensa” e de opinião.[vi]
Torna-se evidente que “os proprietários”, os donos dos meios de produção, são os mesmos que enraizaram seus poderes econômicos no Estado, desenvolvendo a ideologia dominante capaz de lhe dar sustentação política. Essa constatação vem do próprio governo, um dia após o pronunciamento do presidente da república, ao criticar o confinamento dos trabalhadores, o presidente da Câmara Rodrigo Maia declarou:
Minha opinião é que nas últimas semanas nós tivemos uma pressão muito grande de parte de investidores. Aqueles que colocaram recursos na Bolsa de valores, esperando a prosperidade com a Bolsa a 150 mil pontos, a 180 mil pontos. A Bolsa caiu, como caiu no mundo inteiro, porque essa não é uma crise do Brasil, é uma crise mundial que atinge o Brasil.[vii]
Ao fazer com que o governo convoquem os trabalhadores a mover a máquina capitalista, ainda que com o sacrifício da própria vida, ao dificultar a elucidação de crimes que prejudiquem suas atividades lucrativas, bem como impedir o pensamento crítico que se oponha frontalmente a ideia de acumulação de riqueza e divisão social de classes, a classe dominante acentua ainda mais a crise. Mauro Iasi (2017)[viii] corrobora com essa reflexão, ao considerar que a burguesia comete “algumas falhas”, ao ameaçar a humanidade com sua ganância pelo lucro.
Tal “hegemonia ideológica”, caracterizada pela negação das determinações políticas que formam o cimento social, tenta jogar a culpa (da estagnação econômica, das mortes, do fracasso escolar) para o indivíduo trabalhador, naturalizando as relações de dominação e/ou apagando as contradições político-econômico-sociais, ou, simplesmente, escondendo-se atrás de uma suposta “neutralidade política”. Nessa conjuntura, que também estão presentes (encontra-se similaridade) o “golpe de Estado” impetrado pelo governo Temer, a prisão do ex-presidente Lula, a quebra de estabilidade do servidor público, o movimento de Educação a Distância, são incorporados discursos e práticas que obscurecem as tensões inerentes às relações dialéticas, quase sempre reproduzindo a ideologia da classe dominante, porém não sem resistência e luta.
Há quem não reconheça o quanto a sociedade capitalista nos faz pensar e agir individualistas e/ou na materialidade da luta de classes. Há quem, por exemplo, disponha de recursos financeiros para estocar alimentos e cumprir fielmente o confinamento, evitando se expor ao coronavírus, sem pensar nas pessoas que, ao não disporem dos recursos mínimos de subsistência, não podem se dar ao luxo de ficar em casa. Há quem feche os olhos para o que aconteceu com Marielle, banalizando sua trajetória de vida, bem como os processos judiciais contra professores que, durante suas aulas, tentam pensar nas formas de legitimação da sociedade. Qualquer pensamento está inscrito politicamente em nossa sociedade e refere-se a luta/batalha/guerra travada por sobrevivência da classe trabalhadora, seja no campo da resistência, da militância, e/ou da revolução anticapitalista. Na visão de Fernandes (1981), “A luta de classes não constitui um artigo de fé. Ela é uma realidade e só poderá desaparecer se o capitalismo for destruído”[ix].
Buscando demonstrar como esses três fatos sociais/históricos estão imbrincados com a atual crise capitalista, apreende-se que quanto maior o processo de concentração de riquezas, mais evidências surgem da superexploração de uma classe sobre a outra, seja no campo da saúde, da segurança e/ou da educação. As obras de Karl Marx ajudam na compreensão da exploração da força de trabalho, sistematizando diversas categorias fundantes do capitalismo. Embora sua época fosse bem diferente da atual, tais categorias permanecem auxiliando aos que se dedicam a “montar o quebra-cabeça” da economia política no contexto atual. Em seu esforço de atualizar as categorias “dinheiro”, “valor”, “mais valor”, “capital fictício” e “crédito”, David Harvey (2018, p.67)[x] desvela esse modo de produção capitalista, na configuração histórica específica do século XXI:
[…] o capital portador de juros se tornou uma força motriz independente e poderosa de acumulação por conta própria. O resultado não foi a emancipação humana da vontade e da necessidade, mas uma eficiência crescente da circulação e da produção de mais-valor, à custa de índices cada vez maiores de servidão por endividamento e alienação progressiva na política da vida cotidiana.
A alienação, que parte do acirramento da superexploração, dificulta a solidariedade de classe, nesses casos, entre os que podem e os que não pode trabalhar e/ou cumprir o isolamento social em época de pandemia, entre os que podem se manifestar correndo riscos e os que precisam da clandestinidade, entre os professores conservadores (reprodutores) e os progressistas (revolucionários), entre os trabalhadores formais e os “uberizados”, entre os “capitães do mato” e os “escravizados”. Ocorre que os inimigos da classe trabalhadora são aqueles que criam essas diferenças no mundo do trabalho.
Urge a práxis revolucionária[xi],
de refletir coletivamente, com a maior profundidade possível, sobre a visão de
mundo no conjunto da classe trabalhadora, unificando-a na luta efetiva
anticapitalista. No nível teórico, isso significa entender que a crítica ao
capitalismo perde sua potência, sempre que não agrega a fração da classe
trabalhadora mais “escravizada/precarizada” (ralé). Mas, no nível prático,
implica formar um movimento de massa, com ações concretas, para mudar o sistema
atual. Talvez tenha que se criar (ou não) um partido que aglutine todas as
forças revolucionárias. De tal forma que se combine esforços para dominar a
classe dominante, e retomar os ideais da revolução francesa, não no sentido de
uma revolução burguesa, mas em prol de uma revolução verdadeiramente proletária,
com justiça social para todos/as, ou seja, eliminando a divisão de classe e pôr
fim a propriedade privada.
[i] Professor de Biologia/Ciências das redes públicas de ensino, Mestre em Educação Profissional em Saúde. http://www.roberto.bio.br/blog
[ii] Disponível em: https://exame.abril.com.br/brasil/desembargadora-marielle-foi-eleita-pelo-comando-vermelho/. Acesso em: 27 mar 2020.
[iii] Disponível em: http://escolasempartido.org/objetivos. Acesso em: 20 mar 2018.
[iv] FRIGOTTO, Gaudêncio (Org.). Escola “sem” partido: esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de Janeiro: UERJ, LPP, 2017.
[v] FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. São Paulo: Atica. 1998.
[vi] Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/09/1920559-escravidao-e-nao-corrupcao-define-sociedade-brasileira-diz-jesse-souza.shtml. Acesso em: 27 mar 2020.
[vii] Disponível em: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,pressao-para-fim-do-isolamento-vem-de-investidores-da-bolsa-afirma-maia,70003248091.amp?__twitter_impression=true. Acesso em: 27 mar 2020.
[viii] IASI, Mauro. Política, Estado e ideologia na trama conjuntural. São Paulo: ICP, 2017.
[ix] FERNANDES, Florestan. O que é revolução. Ed. Brasiliense. 1981
[x] HARVEY, David. A loucura da razão econômica: Marx e o capital no século XXI. São Paulo: Boitempo, 2018.
[xi] Vide Poesia – Dissidência ou arte de dissidiar – Mauro Iasi
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Nosso livro: Política Educacional e Dilemas do Ensino em Tempos de Crise: Juventude, currículo, reformas do ensino e formação de professores
Organizado pelas professoras Lúcia Ap. Valadares Sartório, Lucília Augusta Lino e Nádia Maria Pereira de Souza, a coletânea intitulada Política Educacional e Dilemas do Ensino em tempos de Crise – juventude, currículo, reformas do ensino e formação de professores, traz reflexões acerca dos problemas educacionais e das políticas educacionais recentes a partir de uma análise histórica e filosófica com vistas a compreender o grau de extensão das mudanças lançadas sobre o ensino. A compreensão do real significado da “Flexibilização” e do “Notório Saber”, as propostas contidas na Base Nacional Comum Curricular, a relação entre mercantilização e política neoliberal, entre outras questões como o sentido e significado dos conceitos de competências e habilidades, contribuem à análise crítica dos fatores que estão imbricados na atual configuração da educação brasileira.
Coletânea: Política Educacional e Dilemas do Ensino em Tempos de Crise – Juventude, Currículo, Reformas do Ensino e Formação de Professores. 506p.
Editora: Editora Livraria da Física. São Paulo. Ano: 2018.
Autores:
Alexandre Rodrigues de Assis; Ana Carolina Galvão Marsiglia; Danielle Santos; Dirce Zan; Elizabete Cristina Ribeiro Silva Jardim; Elizangela Menezes; Fabiana Scoleso; Giandrea Reuss Strenzel; Gustavo de Oliveira Figueiredo; José dos Santos de Souza; Leonardo Docena Pina; Lígia Cristina Ferreira Machado; Liz Denize Carvalho Paiva; Lúcia Ap. Valadares Sartório; Lucília Augusta Lino; Luzia Batista de Oliveira Silva; Marcelo Bairral; Márcio de Albuquerque Vianna; Maycon Silva Melo; Miriam Morelli Lima de Mello; Nádia Maria Pereira de Souza; Roberto Eduardo Albino Brandão; Vinícius de Oliveira Machado.
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Com a tag Educação, Educação Básica, Formação de Professores, Juventude, Política Educacional, Reformas do Ensino
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TENTARAM CALAR MARIELLE, ACORDARAM AS VOZES DAS FAVELAS
Meus companheiros Professores do C.E. Bahia, onde, segundo informações que ainda estão sendo averiguadas, Marielle estudou a noite
Inspirado em Gramsci <https://www.marxists.org/portugues/gramsci/1917/02/11.htm>, envio recado para todos os que assistem a vida pela televisão e/ou não querem tomar partido na luta de classes vigente:
“Aos indiferentes toda nossa militância insistente,
assumam o lado na luta vigente,
pois os oprimidos não morrem impotentes,
crescem na dor conscientes…
Marielle para sempre presente!!!”
Aos companheiros que vivem, moradores de favela ou não, presentes no ato político de hoje na Maré, todo nosso respeito, admiração e gratidão, principalmente pela coragem de estar junto na luta, optando pelos mais fracos (classe trabalhadora). Não adianta fugir, nessa sociedade capitalista, pois só há duas forças atuando: oprimidos e opressores. Se você fecha os olhos para essa realidade, como se isso fosse possível, ao desejar não lutar, você já escolheu o lado da classe dominante, que nos humilha, que nos emudece, que nos amedronta, que diz que escola não é lugar de política, que nos mata. Não falo da polícia, mas dos que mandam na polícia, condenando todos a esse abismo de desigualdade social.
O companheiro mais jovem de todos, Sr. Bezerra, incansável na luta contra o capitalismo, construindo o poder popular, somos juntos!
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Com a tag Educação, escola, Gramsci, Luta de classes, Marielle Franco, política, Violência
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Pré Vestibular Social no C.E. Prof. Clóvis Monteiro
Igualdade, eis a nossa utopia!
Ignorância, preconceitos e erros me acorrentam
Caminho na escuridão, mas luzes hão de surgir
Luzes do mais puro amor, que sempre sustentam
Sabedoria, força e beleza vão me nutrir
Iluminar significa lançar luz
Nas trevas que escurecem a alma e assombra
Luz que irradia conhecimento e produz
É por isso que a luz não tem sombra
Zelar pela harmonia dessa ordem
Constrói-se liberdade, igualdade e fraternidade consciente
Iluminando cada ponto da sociedade em desordem
Vislumbra-se um mundo mais eficiente
Eficiência não rima com justiça social
Pode até ser confundida com valorização do capital
Mas o sentido, nesse caso especial
Vai muito além da beneficência universal
A prática libertadora de Paulo Freire permite refletir
O quão importante é garantir a liberdade
A luta dos oprimidos contra os opressores devemos conduzir
Não há liberdade sem igualdade de oportunidade
E a igualdade, por conseguinte
Não deve ficar só no discurso
Sem privilégio e carência, abastado ou pedinte
Sigamos nesse percurso
A lei do dinheiro move o mundo capitalista
Desigualdade gera miséria, não se pode negar
Somos peças desse mecanismo privatista
Ilhas de virtude devemos edificar
Nesse ofício de construção
Precisamos sempre de claridade
Vive-se tempos de intolerância e alienação
Que escurece a esperança e distorce a realidade
Por isso, sigamos em frente camaradas
Fortalecendo nossa classe oprimida
Abrindo juntos todas as portas fechadas
Na luta pela universidade querida
Burguesia, compreenda minha escola
Consciência de classe se amplia
Optar pelo lado mais fraco não é dar esmola
Igualdade, eis a nossa utopia!
Entrevista ( na íntegra) com a Diretora do C.E. Prof. Clóvis Monteiro:
https://www.facebook.com/prevestclovis/?pnref=story.unseen-section
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Com a tag Educação, Educação inclusiva, Pré vestibular Social
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A gente vai se acostumando…
A gente vai se acostumando…
(Inspirado no texto “Acomodação”, de Marina Colasanti)
Roberto Eduardo Albino Brandão
A gente se acostuma a quase tudo, mas não deveria.
A gente se acostuma a morar em um lugar poluído. E porque está poluído, logo se acostuma a não reclamar com o morador ou a empresa que polui nosso solo, rios e ar. E a medida que se acostuma com os poluentes, esquece o quanto é importante viver num ambiente saudável.
A gente se acostuma com Fast food. A engolir a comida, sem pensar nas necessidades nutricionais. Com o doce concentrado, a gordura saturada, ao excesso de sódio, esquecendo da diversidade de sabores. E a beber refrigerante ao invés de água.
A gente se acostuma a ficar doente e a enfrentar longas filas na unidade de saúde ou para fazer um exame, sem pensar nos motivos que causaram a doença ou na responsabilidade do poder público. A fala bonita dos políticos em época de eleição. E ao descaso com a população depois que os políticos são eleitos.
A gente se acostuma com a falta de segurança. Aos tiroteios constantes e a perda de amigos. Ao medo de ser a próxima vítima de bala-perdida. Aos cadáveres no caminho e aos gritos das mães que perdem seus filhos.
A gente se acostuma a ver televisão. Aos casos de corrupção. Ao sofrimento humano diário. Ao anuncio do tênis ou da roupa, desejando a marca mais do que o produto. A pagar o preço anunciado, baseado apenas na propaganda, sem pensar se vale a pena. E a pagar muito mais do que as coisas realmente valem.
A gente se acostuma a vir para a escola, só porque alguém mandou. A não prestar atenção na aula. A dificuldade de ler e escrever. A não perguntar, quando temos dúvidas. A ser zoado pela galera. Ao desrespeito. A não reclamar. A furar fila. A sala suja. A jogar videogame o dia todo. A ouvir música alta. A não ir à praia ou ao teatro. A não sorrir. Ao medo. E à medida que vamos nos acostumando com as coisas, esquecemos que essa nossa acomodação nos mantém sempre no mesmo lugar.
E você? Com o que está acostumado, mas que não deveria? Acha que juntos podemos transformar a nossa realidade?
Diário de Motocicleta – 15º Dia (03/01/17)
Status: Foz do Iguaçu
Aproveitei para deixar a moto na revisão geral da Honda, dar uma aparada na barba e visitar a Usina de Itaipu – binacional. A CB500X foi aprovada com louvor. Descobri a barba-terapia, um serviço excelente, realizado por esse simpático barbudo (Sr. Barba). Será que um dia terei uma barba dessa? Na Usina, foram muitos esclarecimentos sobre engenharia e história da construção desse megaempreendimento, inclusive que a dívida contraída à época (1973) só será concluída em 2023. Meus amigos engenheiros me perdoem, são realmente números astronômicos, dessa maravilha de construção (com base piramidal), mas nada se compara ao ver as capivaras gordinhas pastando as margens do Rio Paraná. Amanhã sigo para São Paulo, com uma paradinha estratégica em Apucarana (PR), com pressa.
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Com a tag CB500X, diário de motocicleta, Motoaventura, Motoviajem
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Diário de Motocicleta – 14º Dia (02/01/17)
Status: Foz do Iguaçu
Mais um dia inteiro dirigindo. Apesar do cansaço, com muita energia e vibração. O café-da-manhã dos hotéis é uma boa forma de iniciar o dia, porém limita as possibilidades de pegar a estrada antes do sol causticante. Ou seja, saí do hotel quase 11h e cheguei em Foz as 18h, com pressa.
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