DIA DAS/OS PROFESSORAS/ES: o otimismo da vontade e a pedagogia da luta

Camaradas professoras e professores,

Hoje, mais do que uma data de celebração, o Dia das Professoras e dos Professores é um momento de afirmação política, reflexão crítica e fortalecimento da nossa unidade de classe.

À luz do materialismo histórico-dialético, compreendemos que a educação não flutua no vazio abstrato das ideias, tampouco é neutra. Ela é contradição pura: campo de disputa ideológica inserido nas relações sociais de produção. Se, por um lado, a estrutura capitalista tenta reduzir a escola a um balcão de negócios ou a um mero reprodutor da força de trabalho para o mercado, por outro, a prática pedagógica carrega o germe da emancipação.

Fundamentados na Pedagogia Histórico-Crítica, reafirmamos que o nosso compromisso ético e político é com a socialização do conhecimento elaborado, com a transmissão do conhecimento científico, da arte e da filosofia à classe trabalhadora. Garantir o acesso ao patrimônio cultural da humanidade para as filhas e os filhos da classe trabalhadora não é um mero dever burocrático; é um ato revolucionário de instrumentalização teórica e prática para a transformação da realidade.

“Pela educação não se transforma diretamente a sociedade, mas sem ela a sociedade não se transforma.” — Dermeval Saviani

Sabemos que exercer a docência crítica hoje significa estar na linha de frente de constantes ataques. Enfrentamos:

-A precarização do trabalho e o arrocho salarial;

-O avanço do obscurantismo e de projetos de censura nas salas de aula;

-As perseguições ideológicas que tentam amordaçar o pensamento livre e desmantelar a escola pública.

Esses ataques não são casuais. A força hegemônica persegue a docência justamente porque reconhece o potencial desmistificador do conhecimento científico e do pensamento crítico. Quando tentam nos silenciar, revelam o medo que têm de uma classe trabalhadora consciente de sua condição de sujeito histórico.

Diante da aridez do presente, recusamos o paralisante fatalismo burguês. Lembramos da lição gramsciana: contrapomos ao pessimismo da razão o otimismo da vontade. O pessimismo da razão nos permite enxergar a realidade sem ilusões, diagnosticando com precisão a força do inimigo e a complexidade da conjuntura. Mas é o otimismo da vontade que nos mobiliza, que alimenta a nossa práxis docente cotidiana e que nos faz erguer a cabeça em cada assembleia, em cada sala de aula e em cada trincheira de luta.

A resistência não é individual; ela é coletiva e organizada. A nossa maior defesa contra qualquer forma de perseguição é a solidariedade de classe, a união nos sindicatos, no partido revolucionário, nas redes de apoio e no trabalho ombro a ombro na escola.

Aos camaradas que, mesmo exaustos, não recuam na defesa da escola pública, laica, gratuita e socialmente referenciada: todo o nosso respeito, solidariedade e compromisso de luta. Nossa homenagem de hoje é a renovação do nosso compromisso de classe: continuar ensinando a ler a palavra e o mundo, desvelando as contradições do real para transformá-lo.

Viva as/os professoras/es em luta!

Professoras/es de todo o mundo, uni-vos!

Rio, 15 de outubro de 2026.

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