CONFLITO DAS AVES: FÁBULA DE UM MUNDO REAL

por Roberto Eduardo Albino Brandão

Fonte da imagem: https://ebird.org/species/sibcra1?siteLanguage=pt_BR

Era uma vez 3 espécies de aves, que competiam por recursos e poder: A águia-americana (predador oportunista, seu alimento principal é peixe), o estorninho (ave pequena, intimida e expulsa outras aves de seus ninhos, levando ao declínio de espécies nativas, é onívora), e o grou-siberiano (ave de aparência majestosa, com plumagem branca e longo bico vermelho, seu alimento principal é peixe).

Nessa história, a Otan (Organização do Tratado da Avifauna Norte) foi criada pelas águias-americanas, junto com vários estorninhos, para combater (com força bélica) o modo de vida (e de pescar) dos grous-siberianos. Naquela época, os grous-siberianos pescavam e se alimentavam segundo suas próprias necessidades, período conhecido como URGS (União das Repúblicas dos Grous-Siberianos). Ao contrário, para viver o sonho das águias-americanas, elas sempre exploraram os estorninhos (e outras aves) para pescarem os maiores (em tamanho e quantidade) e melhores peixes possíveis. Posteriormente, com a dissolução da URGS, os grous-siberianos passaram também a explorar os estorninhos, e a Otan perdeu o sentido de sua existência. Apesar disso, as águias-americanas, seguindo a sua tradição de imposição de força e de ideologia, sobre os obedientes estorninhos, decidiram expandir a Otan por todos os biomas ao redor do habitat dos grous-siberianos, cercando-os. Quando um grupo de estorninhos, mais próximos dos grous-siberianos, ameaça fazer parte da Otan, os grous-siberianos invadem o território dos estorninhos, como medida preventiva, para garantir a sobrevivência/soberania dos grous-siberianos.

E o mundo (das aves) se pergunta, por que a guerra? Qual sua origem? Quem começou a guerra? Quais desdobramentos futuros? Quaisquer respostas, que se proponham a ir à essência e não na simples aparência, passa pela história da ornitologia (estudo das aves). Entre tantos pássaros, de poder e riqueza variados, a guerra é apenas um elemento (dos mais traumáticos e visíveis) desse conflito histórico entre 2 modos de viver: desigual/meritocrático/competitivo e outro igualitário/sem classe social/colaborativo. Nessa polarização, até mesmo o 01 das ararajubas (outra espécie de ave pequena, que vive ao sul, cujo nome em tupi significa “papagaio amarelo”), que não tinha nada a ver com a Otan, historicamente subserviente as águias-americanas, e combatente à antiga URGS, ao declarar “somos solidários aos grous-siberianos”, cria um incidente diplomático e confunde a opinião de governo com posição de Estado. Tal contradição nos exige, para além da reflexão ético-responsável, posição política frente a luta de classes, que se expressa em cada jovem ararajuba (preto e pobre) morto nas favelas cariocas, fortemente relacionada a conjuntura imperialista internacional. Entre águias/estorninhos, grous e pseudoararajubas (que prestam continência para as águias), Mario Quintana diria: “Eles passarão…Eu passarinho!”

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

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